Era manhã de segunda-feira. O
dia estava frio. Lá fora, uma chuva fina caía insistentemente. O céu nublado.
Uma corrente permanente de ar deixava a impressão de se estar dentro de uma
câmara fria. As paradas de ônibus eram disputadas por trabalhadores e
estudantes, todos agasalhados e cheios de preguiça.
dia estava frio. Lá fora, uma chuva fina caía insistentemente. O céu nublado.
Uma corrente permanente de ar deixava a impressão de se estar dentro de uma
câmara fria. As paradas de ônibus eram disputadas por trabalhadores e
estudantes, todos agasalhados e cheios de preguiça.
E foi num dia assim que Pedro
Henrique acordou com um pensamento que lhe parecia estranho: Queria mudar o
mundo!
Henrique acordou com um pensamento que lhe parecia estranho: Queria mudar o
mundo!
Ele levantou da cama, calçou
as sandálias de tiras, desligou o ventilador, foi até o banheiro e escovou os
dentes, depois tomou um banho e vestiu a farda de porteiro do edifício onde
trabalhava.
as sandálias de tiras, desligou o ventilador, foi até o banheiro e escovou os
dentes, depois tomou um banho e vestiu a farda de porteiro do edifício onde
trabalhava.
Após tomar um copo de café com
um pão francês adormecido, lançou mão da marmita que já estava pronta em cima
do velho fogão e despediu-se da esposa com um suave beijo na testa.
um pão francês adormecido, lançou mão da marmita que já estava pronta em cima
do velho fogão e despediu-se da esposa com um suave beijo na testa.
Ao sair de casa Pedro Henrique
só pensava em uma coisa: Como eu vou fazer para mudar o mundo? A dúvida
aumentava à medida que ele andava pelas ruas frias naquele dia cinzento.
só pensava em uma coisa: Como eu vou fazer para mudar o mundo? A dúvida
aumentava à medida que ele andava pelas ruas frias naquele dia cinzento.
Em uma esquina se deparou com
uma família de cinco pessoas pedindo esmola.
uma família de cinco pessoas pedindo esmola.
-Uma esmola pelo amor de Deus!
Uma esmolinha moço. Qualquer coisa serve. Gritava o menino que aparentava ter
uns dez anos de idade.
Uma esmolinha moço. Qualquer coisa serve. Gritava o menino que aparentava ter
uns dez anos de idade.
Mais a frente um grupo de
garotos afrontava as pessoas como se lhes quisesse agredir. Aqueles tubinhos em
suas mãos não deixavam dúvidas. Era cola de sapateiro!
garotos afrontava as pessoas como se lhes quisesse agredir. Aqueles tubinhos em
suas mãos não deixavam dúvidas. Era cola de sapateiro!
Diante de uma loja de eletrodomésticos
o vigilante pára e vê o apresentador de TV anunciar que o fim-de-semana foi
violento: Acidentes. Crimes. Prisões. Uma rotina que assusta e preocupa ainda
mais o trabalhador que pretende mudar o mundo.
o vigilante pára e vê o apresentador de TV anunciar que o fim-de-semana foi
violento: Acidentes. Crimes. Prisões. Uma rotina que assusta e preocupa ainda
mais o trabalhador que pretende mudar o mundo.
Mergulhado em pensamentos ele
continua sua caminhada. Por alguns momentos nem parece estar neste planeta. O
descuido é severamente punido pela língua afiada de certos motoristas que não
admitem a invasão de seu território.
continua sua caminhada. Por alguns momentos nem parece estar neste planeta. O
descuido é severamente punido pela língua afiada de certos motoristas que não
admitem a invasão de seu território.
-Olhe por onde anda seu
maluco!
maluco!
-Quer morrer, é?
-Volta pra calçada infeliz!
A cidade parece um grande
hospício, imagina ele, que não perde tempo, pois a hora passa rápido, e a
caminhada ainda vai ser longa até o local de trabalho. Ao cruzar a praça ele
percebe, pela primeira vez, depois de muito tempo, o quanto aquele lugar é
importante. Lá na frente o vigilante contempla o Palácio do Governo. No lado
direito, a “casa das leis”, de onde saem decisões importantes e que influenciam
diretamente na vida das pessoas. No canto esquerdo da praça está o que ele
chama de “casa da justiça”. São os poderes constituídos, um olhando para o
outro, ou um de olho no outro, sem que nenhum deles se enxergue.
hospício, imagina ele, que não perde tempo, pois a hora passa rápido, e a
caminhada ainda vai ser longa até o local de trabalho. Ao cruzar a praça ele
percebe, pela primeira vez, depois de muito tempo, o quanto aquele lugar é
importante. Lá na frente o vigilante contempla o Palácio do Governo. No lado
direito, a “casa das leis”, de onde saem decisões importantes e que influenciam
diretamente na vida das pessoas. No canto esquerdo da praça está o que ele
chama de “casa da justiça”. São os poderes constituídos, um olhando para o
outro, ou um de olho no outro, sem que nenhum deles se enxergue.
--Três poderes assim tão
próximos e o povo tão distante daquele mundo! A reflexão aumenta o desejo de
mudança utópica e o faz perceber que está no limite do horário. Pedro Henrique
apressa os passos e vai-se embora.
próximos e o povo tão distante daquele mundo! A reflexão aumenta o desejo de
mudança utópica e o faz perceber que está no limite do horário. Pedro Henrique
apressa os passos e vai-se embora.
Já está na frente do prédio
onde trabalha quando descobre a melhor forma de mudar o mundo. Com passos
firmes e decididos ele atravessa a rua, segue pela calçada, sobe três lances de
escadas até se vê diante do que imagina ser o melhor lugar para iniciar a
mudança. Então pára, respira um pouco, abre um misterioso sorriso, faz o sinal
da cruz, entra na igreja, caminha até o altar, ajoelha-se, fecha os olhos e
reza.
onde trabalha quando descobre a melhor forma de mudar o mundo. Com passos
firmes e decididos ele atravessa a rua, segue pela calçada, sobe três lances de
escadas até se vê diante do que imagina ser o melhor lugar para iniciar a
mudança. Então pára, respira um pouco, abre um misterioso sorriso, faz o sinal
da cruz, entra na igreja, caminha até o altar, ajoelha-se, fecha os olhos e
reza.
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